• White Facebook Icon
  • White Instagram Icon
CULTURA, GASTRONOMIA E TURISMO

MERCADO DE TANGO: O BRASIL É A BOLA DA VEZ

Fonte: Aqui me Quedo

 

 

Brasil é o país mais promissor para o tango nos próximos anos. A conclusão é do Informe sobre Mercados de Turismo de Tango, elaborado pela consultoria TangoTecnia, empresa especializada em estatísticas tangueiras. O estudo leva em conta vários fatores. Entre eles, o incremento recente de novos bailarinos no país, o nível de baile e o número de horas mensais dedicadas às classes.

“O Brasil está numa etapa tangueira embrionária, com muitíssimo potencial de crescimento”, diz Jorge Arellano, CEO de TangoTecnia.  As estatísticas mostram, por exemplo, que no Brasil a maioria do praticantes ainda são iniciantes. “Em pouco tempo eles precisarão de mais professores, mais milongas e de uma massa milongueira mais exigente para crescer”. Outros países potenciais são México e Chile. 

 

Mercado de tango: Brasil
Uma das perguntas da pesquisa foi: quanto tempo faz que você baila tango? A média brasileira é de 6,7 anos, contra, por exemplo, 13,4 da França e 10,9 da Espanha. Ou seja, é um tango recente e com potencial de crescimento. O número chega referendado pela pesquisa de 2015, que apontava 5,2 anos. De acordo com Arellano, de todos os países pequisados, o Brasil foi o último a incorporar o tango como baile social. 

Nível de baile no Brasil
Outro indicador é o percentual de bailarinos principiantes no Brasil (12,8%),  considerado elevado tendo em vista que este valor é zero para quase todos os países europeus, que possuem maior faixa em nível intermediário. E ainda o número de horas de aulas mensais, por pessoa. O Brasil fica em terceiro lugar, com uma média de 5,9 horas, atrás apenas de Colômbia e Argentina. 

 

Mercado de Tango Brasil – A organização por estados
No mapa abaixo, a cor azul ressalta os estados que possuem o que o estudo denomina de Tango Organizado em Milongas (TOM).  Ou seja, a existência de lugares (salas, clubes, restaurantes, bares, etc.) onde, com um frequência determinada (semanal, quinzenal, mensal), se organiza um evento específico de baile de tango. Entre parêntesis estão a quantidade de lugares de baile por estado. Os dados são de 2016.

De acordo com o estudo, o fator da proximidade com a Argentina, especialmente para os estados do Sul, é o principal fator a ser trabalhado pelo trade tangueiro. “Se a gente consegue baixar o preço das tarifas aéreas, o Brasil pode repetir um fenômeno que só acontece hoje com os milongueiros uruguaios: que eles venham a Buenos Aires para dançar no fim de semana”, sonha Arellano. Ele ressalta o caso de Porto Alegre que, com um voo direto, proporcionaria o aproveitamento de quatro milongas num fim de semana: sexta à noite, sábado matinê, sábado noite e domingo matinê. 

Vantagens adicionais do Brasil, segundo a TangoTecnia:

  • É o quinto país mais populoso do mundo (mais habitantes que a soma e Itália, Franca, Inglaterra e Grécia)

  • É o mercado emergente com maior potencial de crescimento. 

  • Proximidade com Argentina: 2h45’ entre Buenos Aires e Sáo Paulo.

  • Custos: A chegada de empresas “low-cost” seria determinante para resolver a equação econômica do “milongueiro” do Brasil, já que atacaria o item mais caro da viagem.

  • Possibilidade de estabelecer uma ponte aérea Buenos Aires/Porto Alegre/São Paulo.

Mercado de Tango Brasil – Censo de Milongas
Arellano adiantou para o blog Aquí me Quedo os resultados provisórios do Primeiro Censo Regional de Milongas (América). As informações de milongas per capita são de abril de 2017. 

A pesquisa leva em conta as milongas/práticas/espaços de baile com atividade contínua, pagas ou não.
Não estão incluídos festivais e oficinas de tango.
As populações dos países estão determinadas de acordo com alguns censos nacionais.

A crise no tango portenho

O mercado receptivo tangueiro na Argentina anda atrás de novos mercados porque o tango, segundo pesquisas, está em problemas em seu próprio berço. O TangoTecnia adverte sobre a progressiva perda de receita associada ao turismo receptivo de tango, vivida pelo país há cinco anos.

Em geral, os turistas tangueiros têm uma alta taxa de reincidência ao destino (2,96 visitas ao país em cinco anos), com uma estadia média de 24 dias no país e cerca de 1562 dólares de gastos por viagem, sem contar a passagem. Mas isso está mudando. Segundo a consultoria, há uma redução no número de visitantes e no tempo das visitas de milongueiros internacionais frequentes.

Entre as razões estariam a crescente oferta milongueira de qualidade na Europa e na Ásia, o aumento dos boatos sobre insegurança na Argentina e o fechamento de milongas. E mais: Buenos Aires ficou caro!

Obviamente que não é caro ir a uma milonga, tendo em vista que as entradas que não excedem 4 ou 5 dólares. É caro chegar, hospedar-se, comer e viver. O segundo fator é que o tango cresceu no mundo o suficiente para gerar um circuito paralelo ao argentino. Em algumas capitais do outro lado do Atlântico (Roma, Paris, Moscou, Istambul), diz o texto, já é possível milonguear como em Buenos Aires, de segunda a segunda.

Para Jorge Arellano o crescimento de outros mercados é um fator determinante. “É como o futebol: a Inglaterra foi o país que o regulamentou e, durante anos, foi seu dono, acreditando que esse sempre seria o caso, mas o crescimento em outros países deslocou o eixo de interesse”, disse ele.

Por fim, faltam políticas públicas para sustentar os espaços tangueiros. Muita gente do setor diz que as autoridades de Turismo acreditam que o tango é o jantar-show e desconhecem o mundo dos milongas. Outra queixa é em relação ao Mundial de Tango, realizado “sem juízes internacionais, em um lugar sem tradição de tango (como a Usina del Arte), com horários anunciados apenas no último momento e organizado sem levar em conta as milongas”.

Milonga Brava, em Porto Alegre.  Crédito: Milonga Brava

1/4
Clique nas setas para visualizar os gráficos.